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![]() Enquanto isso, lá em Brasília...
*Ronaldo Duran
Estudo Economia na UnB. Nesse momento, sentado num dos bancos da biblioteca da Faculdade, penso. Aos vinte três anos, nunca perdi o prazer de fazer música. Há seis anos sou vocalista de um grupo. Todos os integrantes são velhos conhecidos. Iniciamos bem jovens. Queria improvisar um desabafo, uma defesa em prol da liberdade de expressão. Na verdade, o que me motivou foi a chateação que tive quando ouvi uma socióloga, inteligente, mas pouco sensível à causa do rock, repetir um chavão de que como em Brasília tem pouco ou nada para se fazer, o jeito é montar uma banda. Bem, se esta é a realidade para uns, não é para todos, muito menos para nós. Minha discografia é uma história à parte, tenho-a desde os dezesseis anos. O que interessa é que nela aprendi quanto foi difícil para Renato Russo, Dinho Ouro Preto e muitos outros amigos impulsionar o rock nacional. E o maior inimigo de uma banda de Brasília é, de início, os críticos de Brasília. Muitos vêem na iniciativa uma fuga da realidade, uma excentricidade de filhos da classe dominante em exibir-se, passar o tempo. Nada de melodrama. Temos as rosas e os espinhos pelo caminho. Nada de desconsiderar a questão mercadológica, os interesses capitalistas na geração coca-cola. A espinha dorsal da crítica está na aparente incompatibilidade em manter os ideais de melhoria social, de passar uma mensagem legal para que o homem viva melhor consigo e com o outro, de lutar contra os malefícios do sistema convivendo com a grana e fama recebidas. Vários atores sociais não se conformam com o sucesso dos cantores, muito menos das bandas de rock. Hoje, temos dificuldades, mas imagina no tempo do Aborto Eletrônico? Sem o apoio da mídia, às vezes até ridicularizados. Era tempo dos ensaios na garagem, dos shows improvisados ou vigiados pela ditadura. Devemos muitos a esses desbravadores. E Brasília deve ter orgulho de sua safra. O nosso grupo começou fazendo cover dos ícones. Íamos tocar em festas, baladas. Como a concorrência é acirrada, foi espanto quando surgiu convite para tocarmos nossas músicas. Rolou até a produção de um CD. Mas as vendas foram insignificantes para a gravadora aceitar bancar a produção de outro. Agora, vivemos basicamente de shows em universidades, casas noturnas. O grupo, contudo, está realizado. Viver do que se gosta de fazer é privilégios de poucos. O baterista, médico, e o baixista, defensor público, largaram de vez as respectivas carreiras para se dedicarem à banda. A batalha está sendo para entrar no circuito nacional. *Ronaldo Duran, escritor, colabora neste jornal semanalmente. www.informativoliteraturaviva.blogspot.com Em 23/02/2010 às 14:23:54 - por Redação
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